quinta-feira, 29 de outubro de 2015

8 coisas que a minha namorada diz/faz


Um gajo passa o infantário e a primária a ser o Don Juan da zona, a papar todas as meninas lá da escola, para chegar à idade adulta e ter que se conformar com aquela que tinha o ranho no nariz todos os dias, aquela pita que tirava os macacos e colava debaixo da secretária, ou aquela que aos quinze anos ainda não tirava o bigode – ou, como as mulheres gostam de lhe chamar, o “buço” – porque os pais tinham medo que endurecesse.
Não foi essa que me calhou na rifa, mas a verdade é que ainda estou a tentar apanhar cada pormenor para perceber, de vez, se ela é deficiente ou não. Mas atenção, caso ela esteja a ver… eu amo-a! Até porque não quero que ela chegue a casa e estique o remo atrás para me dar um estaladão, porque «já chega de estar sempre a tirar-lhe a auto-estima».
Bem, vocês vão perceber o que eu estou a dizer. Sendo assim, aqui vão as 8 coisas mais hilariantes da minha namorada:
1. Onomatopeias. Sabem aquele caniche irritante que não para de ladrar desde as dez da manhã às nove da noite? E aquele gato que quer a atenção toda para ele vinte e quatro horas por dia? Claro que não me posso esquecer a vaquinha, o porco, o trator, o foguete, a sirene da ambulância… Sim, a minha namorada é essa festa toda, assim que uma pequena energia lhe assola a alma. Ela acorda a fazer barulhos e adormece a fazer barulhos. Basta ela não estar quase a fechar o olho esquerdo de cansaço, para trazer até mim uma festa dos sons de fazer inveja à Disneylândia! E claro que tinha de, não raras vezes, escolher as horas em que eu estou quase a fechar o olho direito para o fazer.
2. “Estás farto de me aturar?” Como qualquer homem, eu acordo de mau humor. Todos os dias. Não quero mimos e não quero ser feliz, nem quero saltar, nem quero sorrir. Não nas primeiras horas da manhã. Mas se ela diz uma piada e eu não me rio, ou se não a ponho em cima de um pedestal com setas reluzentes a piscar e a apontar para ela, com uma frase inspiradora tipo “esta é a miúda mais incrível do século”, só pode haver uma única razão. Estou farto de a aturar. Só pode ser isso. NÃO É! Mulheres deste mundo, percebam que só há uma altura em que vocês podem, de facto, ter a certeza que estamos fartos de vos aturar: quando vamos juntos ao shopping.
3. “Estou gorda? Diz a verdade!” É nesta altura que eu me sinto tal e qual o Musafa do Rei Leão, quando está a um toque na pata de ir desta para melhor. E eu, ainda a lutar pela vida, respondo: “Não estás gorda!”. Mas ela retalia: “Mas não vês celulite nenhuma? Não estou um bocadinho mais inchada do que a semana passada?”. E eis senão quando, já a arrepender-me do que vou dizer, as minhas cordas vocais soltam um tímido “Estás um bocadinho mais gorduchinha que há uns tempos, sim”. Ok, é agora. O Scar que existe dentro dela apodera-se do seu corpo e toca-me na pata. Morri. Hoje não há mais confianças para ninguém. A partir de agora e até ela se esquecer, a nossa relação acabou. Deita-se na cama. Chora. Chora porque está gordíssima, chora porque na sua cabeça eu disse que ela é algo entre um cachalote, uma máquina de fazer algodão doce e uma piscina feita de gordura. Resta-me dizer “Não era bem isso que eu queria dizer…” e abraçá-la. Mas não com muita força, para não lhe sair de rajada um “ESTÁS A TOCAR-ME PARA QUÊ? PARA SENTIR A MINHA GORDURA?”
4. Chorar por tudo e por nada. E esta vem de caminho. Não sei como é com as pessoas normais, mas a minha namorada chora porque existe. Chora porque é gorda, chora porque a roupa lhe fica mal, porqueaquela camisola amarela não lhe está a agradar e o amarelo não a favorece, porque não consegue estudar tanta coisa em tão pouco, chora porque eu não lhe dou atenção, ou porque o gato que estava a passear na rua era tão lindo. Anseio pelo dia em que saia a milagrosa notícia: “Estudos da Universidade de INSERIR UM ESTADO QUALQUER AMERICANO revelam que há mulheres que têm tensão pré-menstrual – vulgarmente conhecida por TPM – durante todo o mês. Isso acontece consigo? Então fique a saber que agora já existe uma cura!”. Confesso que acabei de soltar uma pequena lágrima no canto do olho, só de imaginar o orgulho que viveria nesse momento.
5. “É só mais uma vez!” Nunca vos aconteceu estarem descansados a subir as escadas e serem surpreendidos com um “dedunuânus”? Tentei disfarçar a palavra, mas acho que toda a gente entendeu. A minha namorada tem uma mistura entre a epilepsia e a dedomania, porque ela faz-me essas surpresas constantemente. E eu digo “Não, não… Não se faz isso, assim a Joana é feia!” e ela, qual criança a frequentar o 1º ciclo, faz de novo. Eu ralho com ela novamente. E ela diz-me “É só mais uma vez!” NÃO. LÊ OS MEUS LÁBIOS. N-Ã-O… Q-U-E-R-O! E, para além disso, nunca é só mais uma vez. Aliás, é mais uma vez para ela mas não para mim. Quando eu faço alguma coisa que ela não gosta, a última vez é a última vez. Quando é ela, é só mais uma vez. E é que não é só mais uma vez com isso, nem com as massagens, nem com nada. Nunca é só mais uma vez, é sempre mais dez vezes. E eu continuo a não gos… AU!!!
6. Conversas a dormir. Ah, como é bom ter uma conversa séria com a tua namorada e, de repente, reparares que ela adormeceu! Mas isso é demasiado cliché para esta miúda, então ela arranjou um esquema qualquer no inconsciente dela, que é nada mais nada menos do que continuar a conversa… mas enquanto dorme! “Sabes perfeitamente que gosto muito de ti e nem gosto que duvides disso!” *pausa dramática até ela me responder* “Mas há uma grande quantidade das bases”. Ok, adormeceu. Ontem, estávamos deitados, eu estava a ver uma série e ela arrochou. Sim, ela literalmente entrou no submundo dos mortos-vivos, o que já era de esperar porque ela nunca vê uma série até ao fim. Mas eu estava descansado, quando de repente ela se levanta de olhos fechados e diz “Tu és fantástico, este país é demasiado pequeno para ti!”. Gostei. Aplaudi, esbocei um sorriso e perguntei: “O que queres dizer com isso?”. O resto da conversa foi: “Que vais!” / “Para onde?” / “Mais para ali” / “Mas porquê?” / “Porque não gostas” / “De quê?” / “Oh Tomás, daqui”. Entretanto balbuciou mais uma das suas enternecedoras onomatopeias, virou-se para o outro lado e não falou mais. Fim.
7. "Por que é que nunca fazes as coisas que eu quero…” se eu faço sempre as coisas que tu queres? Sim, sim, já sei, sempre a mesma lengalenga. Aquela cena típica de mulheres de nos cobrarem os pequenos-almoços, as massagens, o próprio facto de concordarem connosco… Ora, eu que trabalho na empresa PREGUIÇA, no posto de PREGUIÇOSO, muitas vezes não me apetece cozinhar o Filet de mignon em cama de legumes com raspas de chocolate e un petit peu de frutos secos de Madagáscar. Ao invés disso, apetece-me cozinhar um bife e ovos estrelados, até porque sou sempre eu a cozinhar – sim, se não fosse eu, na vida da minha namorada havia dois pratos do dia para o jantar: cereais ou leite com café e torradas. Mas qualquer pequena coisa que eu não faça por ela, é porque eu nunca faço nada do que ela quer. Nunca. E ela faz sempre tudo por mim. Pobre criatura esta santa. Ah, p.s.: Dos mesmos criadores de “Por que nunca fazes o que eu quero?” chegou agora “Por que é que não me ligas?”.
8. “Podes acabar comigo com justa causa, eu aceito.” Termino em grande, com a minha preferida. Afinal, a minha namorada é a própria a assumir-se como uma empregada que eu posso despedir com justa causa: deficiência. Crónica. Nível três.

terça-feira, 19 de maio de 2015

Barcelona.


Acho que devo começar por dizer que a minha namorada nunca tinha andado de avião. Ainda era recém-chegado ao Aeroporto Francisco Sá Carneiro, no Porto, e já estava ansioso para ver a reação dela: as caretas que faria, as lágrimas nos olhos, a força com que aprisionaria o meu braço e me diria ao ouvido «estás morto se me fazes andar de avião outra vez».
Passava meia hora das seis da madrugada quando começámos a ouvir o rugido dos motores. Era sinal. Estávamos a arrancar. A velocidade que atingimos após as turbinas iniciarem a sua atuação não foi suficiente para a derrotar… Desilusão, nunca vi ninguém tão calmo a andar de avião pela primeira vez. «Senhores passageiros, querem uma raspadinha?» Não, quero dormir. «Senhores passageiros, iremos agora servir alguns snacks para quem tiver fome!»
Nove e meia da manhã. «Senhores passageiros, pedimos que coloquem os cintos, para iniciarmos a operação de aterragem.» BAM! Chegámos! Nem queria acreditar que estava a pisar solo catalão, para uma viagem alucinante de dois dias onde esperava conhecer Barcelona de uma ponta à outra. Para vos contextualizar, a minha namorada fazia anos. Eu apanhei uma daquelas promoções marotas de uma companhia já por si low-cost, e ofereci-lhe uma viagem a Barcelona… de dois dias. Como seria possível conhecer uma cidade com cerca de oitocentos quilómetros de área e mais de quatro milhões de habitantes em tão pouco tempo?
A manhã foi passada a tentar encontrar o hotel. Decidi-me por um hotel barato… Não aconselho. E prefiro não me prolongar, não vá lembrar-me outra vez de cada vez que tinha de tocar à campainha e dizer “Tomás!” para entrar no prédio que albergava o meu humilde hotel, situado no segundo andar.
O hotel era perto de La Rambla, isto é, uma espécie de Rua de Santa Catarina em Barcelona. Mais movimentada. Mais comprida. Mais larga. Mais tudo. Foi aí que decidimos almoçar: num restaurante de fast-food bastante conhecido, que aproveito para dizer que lá é mais caro. Aliás, tudo lá é mais caro. E foi exatamente depois de almoço que começou a nossa jornada. Quais turistas mais que habituados a estas andanças, sacámos do nosso mapa, com círculos previamente desenhados por nós nos monumentos que queríamos visitar – agora que penso, só nos faltava a meia branca e a sandália. Starbucks. Não podia morrer estúpido, tinha que ir ao Starbucks, nem que fosse para tirar uma foto com a caneca na mão – que tirei. Foi, então, o nosso primeiro destino.
Fomos à Catedral de Barcelona, mas não entrámos porque teríamos de pagar. Também decidimos ir ao Museu da Cera, mas pagava-se. Vimos um bonito Museu Erótico, mas pagava-se. Alguns passos e um flashmob depois, chegámos ao Arc de Triomf. Para surpresa de qualquer visitante, não tínhamos de pagar para passar debaixo daquele monumento! Um dos que mais gostei na cidade espanhola.
Eram quatro da tarde. Já estava farto de andar – ah, sim, esqueci-me de referir que decidimos, devido à nossa bolsa apertada e numa de aventureiros-masoquistas, visitar tudo a pé. Chegámos àquele que diziam ser o ex-libris de Barcelona: arranha-céus? Que é isso à beira da Sagrada Família? Nasciam colunas, cada uma mais alta que a outra, de cada parte daquele templo. Chega a ser mágico de tão imponente! Uma pena não termos entrado, porque se pagava. E muito. Típico.
Entretanto visitámos o Park Guëll, pagámos quinze euros por uma paella e duas sangrias, e ainda tivemos tempo de nos desiludir com a quantidade de pessoas a oferecer droga e cerveja em plena La Rambla.
Mas o melhor chegou no segundo dia. «Têm de visitar a Plaza de España», diziam-nos os nossos amigos. Ok… porque não? E quando chegámos, pagámos um euro para subir um elevador panorâmico de onde víamos a cidade inteira, e aí percebemos: ali sim, era Barcelona. Palácio de Montjuic, soberbo. Estádio Olímpico, magnífico. Arenas de Barcelona, um parque gigante cheio de palmeiras e uma estátua de Gaüdi. O melhor. E atenção, preparem-se… Não pagámos nada! Zero! Nicles! Népia! Do melhor.
E, de repente, senti que não precisava de mais. Não precisava de três dias, nem de uma semana. Dois dias chegaram para conhecer uma das mais belas cidades que já tive o prazer de abraçar. Senti-me cheio, feliz. Não consigo pensar como cliché dizer que a pior parte da viagem foi mesmo o regresso.
Viajar é encher a alma, é refrescar, escrever, apagar e reescrever. Escrevo-vos lavado em lágrimas, embora não visíveis, de saudade daquela que foi, até hoje, uma das viagens da minha vida.
«E muito fica por dizer…» contava eu à minha namorada enquanto escrevia o último ponto final deste texto e ouvia a assistente de bordo dizer: «Senhores passageiros, estamos prestes a aterrar no Porto. Esperamos que tenham gostado da vossa viagem, e que nos acompanhem numa próxima.»


Tomás Garcez

sexta-feira, 15 de maio de 2015

CARTA AOS BULLIES

Queridos bullies,
Com certeza vocês estarão demasiado ocupados para ler esta minha carta. Se calhar, no meio de tantos fãs, recebem demasiadas mensagens para se preocuparem em ler a minha. Mas eu tinha de escrever-vos. Não me sentiria bem se não me sentasse ao computador e não vos escrevesse umas palavras de agradecimento.
Por isso, peço apenas uns minutos da vossa atenção. Cá vai.
Então, antes de mais tenho de contextualizar. O meu nome é Tomás Garcez, tenho 19 anos, e estou a acabar a licenciatura em Ciências da Comunicação. Se calhar por falta de educação ou por algum tipo de deficiência, antes de entrar para a escola nunca tinha percebido que era necessário tomar algumas atitudes mais agressivas para ser aceite pela sociedade. Na verdade, e preparem-se para isto... eu cheguei ao cúmulo de achar que não era preciso ser aceite pela sociedade para ser feliz. Por isso muito OBRIGADO!
Ensinaram-me o que, em tantos anos de escola, nunca nenhum professor me ensinou.
Na verdade, foi no recreio que aprendi. "Escola da vida", é assim que se chama o vosso estabelecimento de ensino, não é? Parece que foi ontem quando entrei pela primeira vez no portão dessa escola... Tinha 5 anos. Logo dezenas de vocês se prontificaram a fazer-me uma visita guiada. Conheci, literalmente, todos os CANTOS dessa escola.
Mas, por mais que tentasse aprender, eu era aquele atrasado da turma. Eu demorei cerca de 7 anos a aprender a ser como vocês. Foi difícil. Também nunca andei no Karaté, não sabia manusear as mãos da maneira que vocês sabiam.
Mas tinha todas as características deste miúdo. Era assim, introvertido, medroso e, se calhar, um bocado covarde. O meu grupo de amigos não era o mais forte e mais popular da escola. Eu não era o mais bonito, as raparigas não andavam todas atrás de mim... (Também, verdade seja dita, na minha altura com a vossa idade brincava-se ao cola-descola e às escondidinhas). E vocês tentavam ensinar-me. Insultavam-me. Uma, duas, três vezes. Passaram anos, por várias vezes me ameaçaram de porrada.
Eu chegava a casa, como aluno aplicado, e fazia o trabalho de casa. Frente a frente com a parede, ensaiava. Primeiro, devagar. Depois com mais força. Às vezes esmurrava as mãos, assim como doía a mão a uma das mestres deste vídeo. Mas o problema é que eu chegava à escola e, por mais que me tivesse safado no trabalho de casa, com a pressão de estar a ser avaliado em público retraía-me e não conseguia mostrar os meus conhecimentos.
Mas parabéns... mais uma vez pessoas como vocês surpreenderam-me da melhor maneira! É de professores assim que o país precisa: que consigam dar a volta ao aluno mais difícil, mudar-lhe a personalidade se for preciso, até que ele aprenda a ser como vocês.
E EU APRENDI. 7 anos depois dei o meu primeiro murro e soube-me tão bem! Mas tão bem... Foram anos de atraso que, em apenas uma questão de segundos, estavam ultrapassados. "Finalmente!", pensei eu.
A partir daí, tornei-me mais confiante... acima de tudo, não tinha medo de ser eu próprio. E, a partir daí, deixei de ser vosso aluno e passei a ser professor. Se vocês me tentassem fazer bullying, eu estendia-vos o dedo do meio e mandava-vos para sítios que vocês nem sabiam que existiam.
Nunca mais tive medo.
E é por isso que vos agradeço. Aliás, agradeço essencialmente por este vídeo... para conhecermos a cara destes sábios mestres que ensinaram este pobre rapaz a levar porrada e manter a cabeça erguida. O que é um pontapé nos tomates quando SE TEM TOMATES para não reagir e sair de cabeça erguida?
Dou os parabéns a este rapaz e, na minha humilde opinião de ex-aluno da vossa escola, dar-lhe ia um 20. Ou um 100%, um Muito Bom se vocês ainda andarem no Ensino Básico.
Sem nada a acrescentar...
Os melhores cumprimentos,
Um ex-bullied

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Basta!



Se é porque me calo, deveria ser mais sincero, menos falso, mais frontal. Se é porque falo, é porque sou desbocado, deveria ser menos brusco, mais inteligente, mais boa pessoa. Afinal em que mundo vivemos?
O povo queixa-se da falta de frontalidade, mas quando a verdade vem ao de cima de uma forma menos almofadada cai o carmo e a trindade. Basta de fazer o jeitinho, basta de tentar ser o politicamente correto... Acima de tudo, basta de mentir! Se penso que a roupa te fica mal, eu digo que acho que a roupa te fica mal. Para quê ir a Marrocos para dizê-lo de uma maneira mais suave, quando o que eu quero dizer é nada mais nada menos do que isso?
É verdade, se vamos pela moda das hashtags, vou ter que usar #somostodoshipócritas.
De geração em geração, passa-se como correto o diz-que-disse, o segredo, o "não digas isso que é má educação". FODA-SE, má educação é não dizer o que se pensa. É calar, consentir, dar palmadinhas nas costas. É pregar rasteiras sem ser num jogo de futebol. É ter duas pastilhas e não partilhar. É mostrar uma coisa que não se é, por medo de represálias da sociedade.
Eu sou o que sou, sem medos. Quem gosta, gosta; quem não gosta, põe na beira do prato e paga na mesma à saída. Muitos têm uma ideia errada de mim porque não faço favores, não tenho vergonha de me embebedar se me apetecer, não tenho vergonha de dizer a alguém que é feio/a, não me sinto na obrigação de desejar "bom dia" ou dar um sorriso a todas as pessoas por quem passo. Sou conquistável até pelos que mais detesto, mas nunca esperem de mim nem mais nem menos do que aquilo que sou. Porque é apenas isso que eu posso dar. Não mudo por ninguém.
Haja atitude neste país de mortos-vivos.

sábado, 17 de janeiro de 2015

Esta és tu.











Esta és tu.

De peito feito às balas
Que apontam às tuas crenças
E, no entanto, apesar de tudo
Aceitas tão bem as diferenças,

E não é que sejas uma aberração
Mas é por seres simultaneamente delicada
Que te assenta o papel de furacão.

Olhar intenso e sem medo
Podias esconder qualquer segredo

Aventura nos teus lábios
De um rosa avermelhado
Vivo, brilhante,
Carnudo, molhado.

Salta à vista o estilo despreocupado
O ar descontraído e distante
Que me tenta a ficar aproximado.

Porque és assim, revolucionária
Pensadora, pulso firme, autoritária

Deixas no ar um cheiro a medo
De não estar à altura, de não ser capaz
Pois tu não és carne, és magia
E paz.

E trocarias as voltas a qualquer rapaz
Que te prometesse a eternidade
E só desejasse algo fugaz.

És de fácil sorriso,
Coração agitado, cabelo indeciso.

Para te conquistar não vale a pena
Fazer nada muito forçado
O que é cliché fica apenas nos sonhos
E o romantismo está ultrapassado.

Voz doce, rouca e esganiçada
É uma das coisas que deixa
Qualquer pessoa apaixonada.

Sei a dor que é não te poder sentir,

Mas nunca me sinto sozinho
Contigo, Joana Antoninho.