segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Basta!



Se é porque me calo, deveria ser mais sincero, menos falso, mais frontal. Se é porque falo, é porque sou desbocado, deveria ser menos brusco, mais inteligente, mais boa pessoa. Afinal em que mundo vivemos?
O povo queixa-se da falta de frontalidade, mas quando a verdade vem ao de cima de uma forma menos almofadada cai o carmo e a trindade. Basta de fazer o jeitinho, basta de tentar ser o politicamente correto... Acima de tudo, basta de mentir! Se penso que a roupa te fica mal, eu digo que acho que a roupa te fica mal. Para quê ir a Marrocos para dizê-lo de uma maneira mais suave, quando o que eu quero dizer é nada mais nada menos do que isso?
É verdade, se vamos pela moda das hashtags, vou ter que usar #somostodoshipócritas.
De geração em geração, passa-se como correto o diz-que-disse, o segredo, o "não digas isso que é má educação". FODA-SE, má educação é não dizer o que se pensa. É calar, consentir, dar palmadinhas nas costas. É pregar rasteiras sem ser num jogo de futebol. É ter duas pastilhas e não partilhar. É mostrar uma coisa que não se é, por medo de represálias da sociedade.
Eu sou o que sou, sem medos. Quem gosta, gosta; quem não gosta, põe na beira do prato e paga na mesma à saída. Muitos têm uma ideia errada de mim porque não faço favores, não tenho vergonha de me embebedar se me apetecer, não tenho vergonha de dizer a alguém que é feio/a, não me sinto na obrigação de desejar "bom dia" ou dar um sorriso a todas as pessoas por quem passo. Sou conquistável até pelos que mais detesto, mas nunca esperem de mim nem mais nem menos do que aquilo que sou. Porque é apenas isso que eu posso dar. Não mudo por ninguém.
Haja atitude neste país de mortos-vivos.

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