Queridos bullies,
Com certeza vocês estarão demasiado ocupados para ler esta minha carta. Se calhar, no meio de tantos fãs, recebem demasiadas mensagens para se preocuparem em ler a minha. Mas eu tinha de escrever-vos. Não me sentiria bem se não me sentasse ao computador e não vos escrevesse umas palavras de agradecimento.
Por isso, peço apenas uns minutos da vossa atenção. Cá vai.
Por isso, peço apenas uns minutos da vossa atenção. Cá vai.
Então, antes de mais tenho de contextualizar. O meu nome é Tomás Garcez, tenho 19 anos, e estou a acabar a licenciatura em Ciências da Comunicação. Se calhar por falta de educação ou por algum tipo de deficiência, antes de entrar para a escola nunca tinha percebido que era necessário tomar algumas atitudes mais agressivas para ser aceite pela sociedade. Na verdade, e preparem-se para isto... eu cheguei ao cúmulo de achar que não era preciso ser aceite pela sociedade para ser feliz. Por isso muito OBRIGADO!
Ensinaram-me o que, em tantos anos de escola, nunca nenhum professor me ensinou.
Na verdade, foi no recreio que aprendi. "Escola da vida", é assim que se chama o vosso estabelecimento de ensino, não é? Parece que foi ontem quando entrei pela primeira vez no portão dessa escola... Tinha 5 anos. Logo dezenas de vocês se prontificaram a fazer-me uma visita guiada. Conheci, literalmente, todos os CANTOS dessa escola.
Mas, por mais que tentasse aprender, eu era aquele atrasado da turma. Eu demorei cerca de 7 anos a aprender a ser como vocês. Foi difícil. Também nunca andei no Karaté, não sabia manusear as mãos da maneira que vocês sabiam.
Mas, por mais que tentasse aprender, eu era aquele atrasado da turma. Eu demorei cerca de 7 anos a aprender a ser como vocês. Foi difícil. Também nunca andei no Karaté, não sabia manusear as mãos da maneira que vocês sabiam.
Mas tinha todas as características deste miúdo. Era assim, introvertido, medroso e, se calhar, um bocado covarde. O meu grupo de amigos não era o mais forte e mais popular da escola. Eu não era o mais bonito, as raparigas não andavam todas atrás de mim... (Também, verdade seja dita, na minha altura com a vossa idade brincava-se ao cola-descola e às escondidinhas). E vocês tentavam ensinar-me. Insultavam-me. Uma, duas, três vezes. Passaram anos, por várias vezes me ameaçaram de porrada.
Eu chegava a casa, como aluno aplicado, e fazia o trabalho de casa. Frente a frente com a parede, ensaiava. Primeiro, devagar. Depois com mais força. Às vezes esmurrava as mãos, assim como doía a mão a uma das mestres deste vídeo. Mas o problema é que eu chegava à escola e, por mais que me tivesse safado no trabalho de casa, com a pressão de estar a ser avaliado em público retraía-me e não conseguia mostrar os meus conhecimentos.
Mas parabéns... mais uma vez pessoas como vocês surpreenderam-me da melhor maneira! É de professores assim que o país precisa: que consigam dar a volta ao aluno mais difícil, mudar-lhe a personalidade se for preciso, até que ele aprenda a ser como vocês.
E EU APRENDI. 7 anos depois dei o meu primeiro murro e soube-me tão bem! Mas tão bem... Foram anos de atraso que, em apenas uma questão de segundos, estavam ultrapassados. "Finalmente!", pensei eu.
A partir daí, tornei-me mais confiante... acima de tudo, não tinha medo de ser eu próprio. E, a partir daí, deixei de ser vosso aluno e passei a ser professor. Se vocês me tentassem fazer bullying, eu estendia-vos o dedo do meio e mandava-vos para sítios que vocês nem sabiam que existiam.
Nunca mais tive medo.
Nunca mais tive medo.
E é por isso que vos agradeço. Aliás, agradeço essencialmente por este vídeo... para conhecermos a cara destes sábios mestres que ensinaram este pobre rapaz a levar porrada e manter a cabeça erguida. O que é um pontapé nos tomates quando SE TEM TOMATES para não reagir e sair de cabeça erguida?
Dou os parabéns a este rapaz e, na minha humilde opinião de ex-aluno da vossa escola, dar-lhe ia um 20. Ou um 100%, um Muito Bom se vocês ainda andarem no Ensino Básico.
Sem nada a acrescentar...
Os melhores cumprimentos,
Um ex-bullied
Um ex-bullied
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