De peito feito às balas
Que apontam às tuas crenças
E, no entanto, apesar de tudo
Aceitas tão bem as diferenças,
E não é que sejas uma aberração
Mas é por seres simultaneamente delicada
Que te assenta o papel de furacão.
Olhar intenso e sem medo
Podias esconder qualquer segredo
Aventura nos teus lábios
De um rosa avermelhado
Vivo, brilhante,
Carnudo, molhado.
Salta à vista o estilo despreocupado
O ar descontraído e distante
Que me tenta a ficar aproximado.
Porque és assim, revolucionária
Pensadora, pulso firme, autoritária
Deixas no ar um cheiro a medo
De não estar à altura, de não ser capaz
Pois tu não és carne, és magia
E paz.
E trocarias as voltas a qualquer rapaz
Que te prometesse a eternidade
E só desejasse algo fugaz.
És de fácil sorriso,
Coração agitado, cabelo indeciso.
Para te conquistar não vale a pena
Fazer nada muito forçado
O que é cliché fica apenas nos sonhos
E o romantismo está ultrapassado.
Voz doce, rouca e esganiçada
É uma das coisas que deixa
Qualquer pessoa apaixonada.
Sei a dor que é não te poder sentir,
Mas nunca me sinto sozinho
Contigo, Joana Antoninho.

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