sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Puro.


Ela girava e a saia rodada levantava-se ao sabor do vento. O sol batia-lhe na face e as pálpebras rosadas enchiam-se de uma luz própria, como se carregasse um planeta no olhar. Nada daquilo parecia real, nada parecia findável. Cada frame, cada fotografia tirada por ele, um momento diferente. Eternizado.
Não é que a camisa dela fosse demasiado quente, mas apetecia-lhe que ele a deitasse na relva e rasgasse todos os botões, com a segurança de quem a desejava e, ao mesmo tempo, com a delicadeza de quem a amava.
De facto, parecia cena de filme. A qualquer momento, ouviriam "Corta!" e os pássaros deixariam de cantar, o sol por-se-ia de repente, a magia desapareceria, e cada um tomaria o seu rumo. Mas não. Não foi isso que aconteceu. Deitaram-se na relva. Ela enroscou-se no peito dele, buscando proteção; ele fez-lhe festas no cabelo. Deixaram-se levar pela liberdade, pelo cheiro a natureza e pelo conforto. Na verdade, adormeceram.
Acordaram e lembraram-se: é verdade, nem todo o amor é eterno, nem toda a panela tem o seu testo, não existe A Bela Adormecida na vida real e a paixão também acaba. Mas aquele momento... aquele momento ficaria nas suas memórias para sempre.

1 comentário:

Anónimo disse...

Muito bom adorei