segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Aleatório.

Transpiro vida. Ou, pelo menos, faço por isso. Feliz ou infelizmente, carrego cada experiência que vivo no mais ínfimo pedaço da minha alma; vivo como se fosse imprescindível que o oxigénio chegasse a pulmões de um tamanho que nem possuo; agarro cada oportunidade com a totalidade dos meus poros e, por isso, muitas vezes sinto saudade.
Por vezes, sinto saudade de coisas que ainda nem perdi. Se por um lado sou defensor convicto da filosofia «Carpe Diem», por outro deixo-me levar demasiado por intensidade... Metaforizando, eu sou o balde do poço a ser puxado por duas forças igualmente fortes. Para baixo, para cima, para baixo, para cima, para baixo. Sou inconstante, e isso deixa-me constantemente vazio.
Queria mais. Queria poder acordar todos os dias e sentir-me. Eu não me sinto. Eu sou eu e, por vezes, sou outro. Tenho capas. Tenho sonhos que não quero ter, e falta-me coragem ou talvez me falte vida. Não sei.
O meu cérebro é um ser utópico... Vagueio pela esperança de um mundo justo, tentando passar por entre o podre que é a sociedade. Impossível.
Deito-me na cama. Olho para o teto. Fecho os olhos. Tento dormir. Não consigo. Viro-me. Outra vez. Volto a abrir os olhos. Sento-me na cama. Uma vontade de chorar urge como se de uma tensão pré-menstrual se tratasse. Não sei porquê. Não sei como, nem sei se devo. Não sei o que devo fazer ou pensar, na verdade. Penso, às vezes, que mereço mais e outras que não mereço o que tenho.
Sinto demasiadas vezes que não sei lidar com a vida. Não sei lidar com pessoas, nem com as que gosto nem com as que não gosto. Eu acho que nem sei lidar comigo.
Escrevo completamente aleatoriamente, só quero manifestar aquilo que (não) sinto, mas não pode ser com ninguém. Não confio em ninguém, muito menos a mim, este segredo.
É isso. Faço-me de forte. Controlo as lágrimas. Controlo a vontade de gritar e de pegar nas chaves de casa e sair, de madrugada. Controlo-me para não mostrar a ninguém o quão farto estou.
Peço desculpa. Volto a por a cabeça na almofada e sei lá... acho que adormeço.

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