segunda-feira, 14 de outubro de 2013

A 4ª idade

E se for mesmo suposto ser assim? Se for suposto jogar à apanhada vezes e vezes sem conta, brincar aos pais e às mães, polícias e ladrões, cola-descola, esfolar os joelhos e os cotovelos diariamente durante anos para, no fim, tudo acabar com esse vazio nos olhos característico? Se calhar é mesmo assim a vida, se calhar o objetivo é mesmo chegar ao fim e dizer "Vês estas rugas? É tudo fruto do trabalho".
Perder o sentido da vida, deixar o comboio passar e ficar para sempre à espera do próximo... quando o único comboio que vem depois é o da morte. É triste, mas deve ser assim.

domingo, 13 de outubro de 2013

Perfeitas Imperfeições?


Sim. Um banco de jardim meio tosco, com ar de podre, abraçando dois idosos que, discretamente, dão as mãos e contemplam a maravilhosa paisagem feita de um verde mais vivo que eles próprios. Uma criança despida, com o estômago inchado da falta de nutrição, os joelhos esfolados e as mãos e os pés sujos, a tomar banho com água fervida na panela e a sorrir. Uma árvore completamente torta no meio dos altos e hirtos pinheiros de uma enorme floresta. A competição entre a harmonia, a luz e o frio cortante num dia de sol de inverno... Tudo isto é imperfeito. Tudo isto é perfeito. Tudo isto é vida.

"Vós sois Deus, Zé Povinho"

Mudar de rumo, transpirar ideias e fazê-las acontecer é o que falta. Falta poder na voz, mas falta também capacidade de decisão e determinação para levar as coisas para a frente.
A crise não se fez sozinha e também não vai acabar por obra e graça do Espírito Santo... Se acabar a crise económica, há-de manter-se a crise política, a social, a de valores, ou outra. Nenhum bolo aparece feito sem o pasteleiro pôr primeiro a mão na massa. É demasiado fácil ficar sentado no sofá a ver o noticiário de cerveja na mão e a mandar "postas de pescada" para o ar, a dificuldade chega de mãos dadas com a necessidade de fazer sacrifícios. Aí, minha nossa senhora, haja paciência mas o povo português sempre foi habituadinho a ter as mordomias todas, livrem-se os que tentarem tirar-nos o dinheiro para o camarãozinho ao fim do mês!! Isso não pode acontecer, amigos. Tirem os "gajos" do governo, façam qualquer coisa, mas eu quero chegar ao fim de semana e jantar no da Ti Maria Caxuxa e poder beber o melhor vinho da casa.
É cor de rosa pensar que algumas mentes retrógradas pensam assim. Mas não. Não são alguns, é a grande fatia do sustento de Portugal que pensa assim. As pessoas querem um emprego, mas não querem trabalhar. Querem o dinheiro, mas também querem poder gastá-lo em coisas supérfluas. Querem que a situação económica mude, mas não querem fazer por isso. Eles que se desenmerdem.
E por que não inovar? As pessoas precisam de uma injeção de confiança, vontade, coragem e uma pitada de loucura. Só assim nascerão ideias e renascerá a construção de um povo, de uma família.
Já dizia Zeca Afonso: "O que faz falta é animar a malta". E se não resolvermos nada assim, pelo menos fica a tentativa. Não fica só a intenção.

sábado, 12 de outubro de 2013

Preciso urgentemente de te olhar...

Preciso urgentemente de te olhar. Preciso de olhar fixa e constantemente para ti, e não de te ver. Só olhar. Vazio, puro, apaixonante. Como a brisa do mar que me percorre o corpo enquanto estás perto de mim, ou como o barulho calmante das ondas quando fecho os olhos e penso em ti antes de adormecer.
Não preciso de analisar cada pormenor, cada traço do teu rosto... Não preciso de saber quais são os defeitos que escondes por detrás de tanta perfeição... Não preciso sequer de conhecer mais do que sei. É verdade, preciso apenas de contemplar! Porque as coisas mais bonitas perdem todo o seu charme quando são avaliadas, quando lhes apontamos qualidades ou fraquezas, quando as definimos. A verdadeira beleza do ser está na paz que transmite a quem o contempla, despojado do seu ego, completamente alheio ao mundo que o rodeia, parando no tempo, no espaço e na vida para, apenas, olhar.
É isso, eu preciso de paz. Preciso urgentemente de paz. Preciso urgentemente de te olhar.