Há coisas e pessoas e momentos que não se esquecem. Por mais voltas que a vida dê, por mais unhas que cresçam e sejam cortadas e voltem a crescer e a ser cortadas, há uma gaveta no interior de cada um que é vitalícia, e que se chama "Aqueles". Aqueles momentos, aquelas pessoas, aquelas palavras, aqueles sentimentos, aquelas lembranças. Não temos como os descrever, são apenas aqueles. Nós sabemos e não precisamos que mais ninguém saiba quais são.
Defino-me como um ser humano que luta consigo mesmo entre o coração de manteiga e a frieza que lhe são ambas características. É difícil compreender para quem está de fora, e é difícil lidar para quem está de dentro. A verdade é que ainda não consegui, na pesagem, descobrir qual das duas é dominante.
É difícil chorar para dentro, lamentar em silêncio por algo ou alguém a quem só consigo mostrar a minha face mais gélida. Mas que o sinto, sinto.
Quem acreditar, dirá que faz parte do meu destino esta dificuldade que tenho em relacionar-me. Não sei. Fico confuso facilmente, se calhar porque me questiono tão frequentemente a mim próprio, e aos outros. Não consigo perceber algumas falhas, e se calhar isso é falha minha.
Vejo a minha forma de viver as minhas amizades como a vida de um pescador. Eu dou-me ao trabalho de ir seis meses para o mar alto. Não me importo de lutar contra ventos, tempestades, fome, saudades de casa. Fico chateado é se no fim desses meses chegar a casa sem peixe.
E isso acontece sempre.
Este texto é especialmente dedicado a vocês, João, Tiago e Constança (nomes fictícios).
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