terça-feira, 15 de abril de 2014

O cigarro.

Acordo-te e, ainda em jejum,
Te mato.
Porque digo sempre que é só mais um
E, no entanto, não tenho prazer algum
Como naquele momento exato.

O amarelo entre os dedos,
O cheiro a cancro e a morte
Sufocam-me a alma sem medos
E fazem nascer enredos
Que pautam toda a minha sorte.

Os beijos apaixonados numa estrada
Em que perdoo cada facada,
Porque o caminho do amor é mais cedo do que eu.

Inspiro, expiro, puxo, travo
E desfloro a minha vida como um cravo
Que, pétala a pétala, morreu.

Tomás Garcez. 08.04.2014

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